Mulheres com altas-habilidades: como identificar e valorizar esse potencial
Você sabia que as mulheres podem ter altas-habilidades em diversas áreas do conhecimento, mas nem sempre são reconhecidas ou estimuladas a desenvolver seu potencial? Você sabe quais são as especificidades na identificação de mulheres com altas-habilidades e quais são os desafios e as oportunidades que elas enfrentam?
Neste artigo, vamos abordar o tema das mulheres com altas-habilidades, que é um assunto que vem ganhando cada vez mais destaque na área da educação e da psicologia. Vamos explicar o que são as altas-habilidades, como elas podem se manifestar nas mulheres, quais são os instrumentos e os critérios para identificá-las e quais são as formas de atendimento educacional especializado para elas. Também vamos discutir alguns aspectos sociais, culturais e emocionais que podem influenciar a expressão e o reconhecimento das altas-habilidades nas mulheres.
O que são altas-habilidades?
Altas-habilidades ou superdotação é um termo usado para descrever pessoas que apresentam um potencial elevado em uma ou mais áreas do desenvolvimento humano, como cognição, afetividade, criatividade e motivação. Essas pessoas se destacam por sua capacidade de aprender rapidamente, de resolver problemas complexos, de produzir ideias originais e de se envolver em atividades desafiadoras.
Não há uma definição única e universal de altas-habilidades, pois esse conceito depende de vários fatores, como contexto cultural, histórico e educacional, critérios de identificação, instrumentos de avaliação e modelos teóricos. Além disso, as altas-habilidades são heterogêneas, ou seja, podem se manifestar de diferentes formas e em diferentes graus em cada pessoa.
Como as altas-habilidades podem se manifestar nas mulheres?
As mulheres podem ter altas-habilidades em diversas áreas do conhecimento, como linguagem, matemática, ciências, artes, música, esportes, liderança, entre outras. No entanto, nem sempre essas habilidades são evidentes ou valorizadas pela sociedade, pela família ou pela escola. Isso pode acontecer por vários motivos, como:
- Estereótipos de gênero: existem crenças e expectativas sociais sobre o que é adequado ou esperado para cada gênero. Por exemplo, pode-se acreditar que as mulheres são mais aptas para as áreas humanas do que para as exatas, ou que elas devem priorizar os cuidados com a família do que com a carreira. Esses estereótipos podem limitar as oportunidades e as escolhas das mulheres com altas-habilidades, bem como influenciar sua autoimagem e sua autoestima.
- Diferenças de sintomas: existem diferenças de sintomas entre mulheres e homens com algumas condições que podem estar associadas às altas-habilidades, como o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). As mulheres com TDAH tendem a apresentar mais sintomas de desatenção do que de hiperatividade ou impulsividade. Isso pode dificultar a identificação e o diagnóstico dessa condição nas mulheres, bem como afetar seu desempenho acadêmico e sua autoconfiança.
- Diferenças de estratégias: existem diferenças de estratégias entre mulheres e homens com altas-habilidades para lidar com as situações sociais que envolvem suas habilidades. As mulheres com altas-habilidades tendem a usar mais estratégias negativas do que positivas para enfrentar o ambiente escolar. Por exemplo, elas podem esconder suas habilidades para evitar serem rejeitadas ou criticadas pelos colegas ou pelos professores. Isso pode prejudicar seu desenvolvimento pessoal e profissional.
Quais são os instrumentos e os critérios para identificar as mulheres com altas-habilidades?
A identificação das mulheres com altas-habilidades é um processo complexo e multidimensional, que envolve a participação de diversos profissionais, como psicólogos, pedagogos, professores e familiares. O objetivo da identificação é reconhecer as potencialidades e as necessidades educacionais especiais das mulheres com altas-habilidades, para que elas possam receber um atendimento adequado e desenvolver suas habilidades ao máximo.
Não há um método único e infalível para identificar as mulheres com altas-habilidades, mas sim uma combinação de vários instrumentos e procedimentos, como testes de inteligência, testes de criatividade, observação comportamental, entrevistas, questionários, portfólios, entre outros. Esses instrumentos devem ser adaptados à realidade e à diversidade das mulheres com altas-habilidades, considerando aspectos como idade, gênero, etnia, cultura e condição socioeconômica.
Um exemplo de instrumento que pode ser usado para identificar indicadores de altas-habilidades em estudantes de 10 a 18 anos e adultos é o [Instrumento para Identificação de Indicadores de Altas Habilidades/Superdotação (IIIAH/S)] . Esse instrumento foi desenvolvido com base nas teorias das inteligências múltiplas de Gardner e da superdotação de Renzulli, usando características e indicadores geralmente avaliados na literatura nacional e internacional. O instrumento é composto por cinco subtestes: cognitivo, afetivo, criativo, motivacional e identificação e avaliação. Cada subteste contém uma série de itens que devem ser respondidos pelo estudante ou pelo adulto em uma escala Likert de cinco pontos. O instrumento permite a identificação de altas-habilidades em pessoas de diferentes idades, de forma consciente, contextualizada e consistente com as referências teóricas mais modernas que devem ser adotadas pelos profissionais da Educação.
Quais são as formas de atendimento educacional especializado para as mulheres com altas-habilidades?
As mulheres com altas-habilidades precisam de um atendimento educacional especializado que atenda às suas necessidades específicas e que estimule o desenvolvimento de suas potencialidades. Esse atendimento deve ser planejado e executado por profissionais qualificados, em parceria com a família e a comunidade. Alguns dos princípios que devem orientar esse atendimento são:
- Respeito à diversidade: o atendimento deve reconhecer e valorizar as diferenças individuais e grupais das mulheres com altas-habilidades, considerando aspectos como idade, gênero, etnia, cultura e condição socioeconômica.
- Flexibilidade curricular: o atendimento deve adaptar o currículo escolar às características, aos interesses e ao ritmo de aprendizagem das mulheres com altas-habilidades, oferecendo conteúdos mais avançados, complexos e diversificados.
- Enriquecimento extracurricular: o atendimento deve proporcionar oportunidades de aprendizagem fora do ambiente escolar, como cursos, oficinas, projetos, visitas, intercâmbios, etc., que ampliem os horizontes culturais, científicos e artísticos das mulheres com altas-habilidades.
- Aceleração: o atendimento deve permitir que as mulheres com altas-habilidades avancem mais rapidamente nos níveis de ensino, de acordo com sua capacidade e maturidade, evitando a repetição ou a ociosidade.
- Orientação: o atendimento deve oferecer orientação psicológica, pedagógica e profissional para as mulheres com altas-habilidades, auxiliando-as a lidar com os desafios emocionais, sociais e acadêmicos que possam surgir.
Conclusão
Espero que você tenha gostado deste artigo sobre as especificidades na identificação de mulheres com altas-habilidades. Neste artigo, nós explicamos o que são as altas-habilidades, como elas podem se manifestar nas mulheres, quais são os instrumentos e os critérios para identificá-las e quais são as formas de atendimento educacional especializado para elas. Também discutimos alguns aspectos sociais, culturais e emocionais que podem influenciar a expressão e o reconhecimento das altas-habilidades nas mulheres.
As mulheres com altas-habilidades são um grupo diverso e heterogêneo, que apresenta um potencial elevado em uma ou mais áreas do desenvolvimento humano, mas que nem sempre recebe o apoio e o estímulo necessários para desenvolver suas habilidades ao máximo. Elas enfrentam vários desafios, como estereótipos de gênero, diferenças de sintomas, diferenças de estratégias e falta de reconhecimento. Elas também têm várias oportunidades, como flexibilidade curricular, enriquecimento extracurricular, aceleração e orientação.
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Muito obrigado pela sua atenção e até a próxima!
Referências
ALENCAR, E. M. L. S.; FLEITH, D. S.; OLIVEIRA, E. G. A identificação de altas habilidades/superdotação sob uma perspectiva multidimensional. Revista Brasileira de Educação Especial, v. 26, n. 4, p. 667-684, 2020.
SANTOS, A. A.; ALMEIDA, L. S. Identificação de altas habilidades em mulheres no Ensino Superior: um estudo de caso. Revista Psicologia Escolar e Educacional, v. 25, e211976, 2021.
YOUNG, S.; BRAMHAM, J.; GRAY, K.; ROSE, E. Females with ADHD: An expert consensus statement taking a lifespan approach providing guidance for the identification and treatment of attention-deficit/ hyperactivity disorder in girls and women. BMC psychiatry, v. 18, n. 1, p. 1-13, 2018.

Olá! Eu sou Gérson Silva Santos Neto, e minha paixão é explorar os mistérios da mente humana e desvendar os segredos do cérebro. Mas espere, há mais: sou também um neurocientista biohacker. Vamos nos aprofundar nisso?
O Começo da Aventura
Desde criança, eu já era fascinado pelas perguntas que pareciam não ter respostas simples: Por que pensamos o que pensamos? Como nossas emoções se entrelaçam com os circuitos neurais? Essas questões me impulsionaram a seguir uma carreira na interseção entre a psicologia e a neurociência.
A Jornada Acadêmica e Além
Doutorado em Neurociências e Ciências do Comportamento: Minha jornada acadêmica me levou à Universidade de São Paulo (USP), onde mergulhei fundo no estudo dos distúrbios do neurodesenvolvimento. Imagine: perfis cognitivos, comportamentais e de personalidade da síndrome de Turner, tudo isso conectado à herança cromossômica do X. Foi uma verdadeira aventura científica!
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