As evidências neurocientíficas do mindfulness
O mindfulness é uma prática milenar que consiste em prestar atenção ao momento presente, de forma intencional e sem julgamentos. O mindfulness tem sido cada vez mais estudado pela ciência, que busca compreender os seus benefícios para a saúde física e mental das pessoas. O objetivo deste texto é informar os estudantes e profissionais de psicologia, além de pessoas interessadas em ciências do comportamento, sobre as evidências neurocientíficas do mindfulness.
O que é a neurociência?
A neurociência é o ramo da ciência que estuda o funcionamento do sistema nervoso e suas relações com o comportamento e a cognição. A neurociência utiliza diversos métodos e técnicas para investigar as estruturas, os processos e as funções do cérebro humano e de outros animais.
Um dos métodos mais utilizados pela neurociência é a neuroimagem, que consiste em capturar imagens do cérebro em atividade por meio de aparelhos como o eletroencefalograma (EEG), a ressonância magnética funcional (fMRI), a tomografia por emissão de pósitrons (PET), entre outros1. Essas imagens permitem observar as mudanças na atividade elétrica ou no fluxo sanguíneo cerebral que ocorrem em resposta a diferentes estímulos ou tarefas.
Outro método utilizado pela neurociência é a neuropsicologia, que consiste em avaliar as funções cognitivas (como memória, atenção, linguagem, etc.) por meio de testes padronizados ou experimentais2. Esses testes permitem verificar o desempenho dos indivíduos em diferentes domínios cognitivos e relacioná-los com as áreas cerebrais envolvidas.
Como o mindfulness afeta o cérebro?
O mindfulness afeta o cérebro de diversas formas, principalmente positivas. Alguns dos principais efeitos do mindfulness no cérebro são:
- Aumento da espessura cortical: o mindfulness está associado a um aumento da espessura da camada mais externa do cérebro, onde se localizam os corpos celulares dos neurônios3. Esse aumento indica uma maior densidade neuronal e uma maior capacidade de processamento de informações.
- Aumento da conectividade funcional: o mindfulness está associado a um aumento da conectividade funcional entre diferentes regiões cerebrais4. Essa conectividade indica uma maior comunicação e integração entre as áreas cerebrais envolvidas em diferentes funções cognitivas e emocionais.
- Aumento da plasticidade neural: o mindfulness está associado a um aumento da plasticidade neural, que é a capacidade do cérebro de se adaptar e se modificar em resposta às experiências. Essa plasticidade permite que o cérebro aprenda, memorize e se recupere de lesões ou doenças.
- Redução da atrofia cerebral: o mindfulness está associado a uma redução da atrofia cerebral, que é a perda de volume ou de massa cerebral que ocorre com o envelhecimento ou com algumas condições neurológicas. Essa redução indica uma maior preservação das estruturas e das funções cerebrais.
Quais são os benefícios do mindfulness para a saúde física e mental?
O mindfulness traz diversos benefícios para a saúde física e mental das pessoas, que podem ser explicados pelas mudanças que ocorrem no cérebro. Alguns desses benefícios são:
- Melhora da atenção: o mindfulness melhora a capacidade de focar, filtrar e alternar a atenção entre diferentes estímulos ou tarefas. Essa melhora está relacionada ao aumento da espessura cortical e da conectividade funcional nas regiões pré-frontais e parietais do cérebro, que estão envolvidas no controle atencional.
- Melhora da memória: o mindfulness melhora a capacidade de armazenar, consolidar e recuperar informações. Essa melhora está relacionada ao aumento da espessura cortical e da conectividade funcional nas regiões temporais e hipocampais do cérebro, que estão envolvidas na memória declarativa.
- Melhora da regulação emocional: o mindfulness melhora a capacidade de reconhecer, expressar e modular as emoções. Essa melhora está relacionada ao aumento da espessura cortical e da conectividade funcional nas regiões límbicas e pré-frontais do cérebro, que estão envolvidas na geração, na avaliação e na inibição das respostas emocionais.
- Redução do estresse: o mindfulness reduz os níveis de estresse psicológico e fisiológico. Essa redução está relacionada à diminuição da atividade da amígdala e do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HHA), que estão envolvidos na resposta ao estresse. O mindfulness também aumenta os níveis de serotonina, dopamina e endorfina, que são neurotransmissores relacionados ao bem-estar.
Conclusão
O mindfulness é uma prática que consiste em prestar atenção ao momento presente, de forma intencional e sem julgamentos. O mindfulness tem sido cada vez mais estudado pela neurociência, que busca compreender os seus efeitos no cérebro humano. A neurociência utiliza diversos métodos e técnicas para investigar as estruturas, os processos e as funções cerebrais. Os resultados das pesquisas indicam que o mindfulness afeta o cérebro de diversas formas positivas, como aumentando a espessura cortical, a conectividade funcional, a plasticidade neural e reduzindo a atrofia cerebral. Essas mudanças cerebrais estão associadas a diversos benefícios para a saúde física e mental das pessoas, como melhorando a atenção, a memória, a regulação emocional e reduzindo o estresse.
Referências:
1 ASHWELL, Ken. Neuroscience and the brain. New York: Routledge, 2019.
2 LEZAK, Muriel D.; HOWIESON, Diane B.; BIGLER, Erin D.; TRANEL, Daniel. Neuropsychological assessment. 5. ed. New York: Oxford University Press, 2012.
3 LUDERS, Eileen; TOGA, Arthur W.; LEPORÉ, Natasha; GASER, Christian. The underlying anatomical correlates of long-term meditation: larger hippocampal and frontal volumes of gray matter. Neuroimage, San Diego, v. 45, n. 3, p. 672-678, Apr. 2009.
4 TANG, Yi-Yuan; HÖLZEL, Britta K.; POSNER, Michael I. The neuroscience of mindfulness meditation. Nature Reviews Neuroscience, London, v. 16, n. 4, p. 213-225, Apr. 2015.

Olá! Eu sou Gérson Silva Santos Neto, e minha paixão é explorar os mistérios da mente humana e desvendar os segredos do cérebro. Mas espere, há mais: sou também um neurocientista biohacker. Vamos nos aprofundar nisso?
O Começo da Aventura
Desde criança, eu já era fascinado pelas perguntas que pareciam não ter respostas simples: Por que pensamos o que pensamos? Como nossas emoções se entrelaçam com os circuitos neurais? Essas questões me impulsionaram a seguir uma carreira na interseção entre a psicologia e a neurociência.
A Jornada Acadêmica e Além
Doutorado em Neurociências e Ciências do Comportamento: Minha jornada acadêmica me levou à Universidade de São Paulo (USP), onde mergulhei fundo no estudo dos distúrbios do neurodesenvolvimento. Imagine: perfis cognitivos, comportamentais e de personalidade da síndrome de Turner, tudo isso conectado à herança cromossômica do X. Foi uma verdadeira aventura científica!
Mestre em Ciências (Neurociências): Antes do doutorado, fiz uma parada estratégica para obter meu título de mestre. Minha pesquisa? Investigar as alterações neuropsicológicas relacionadas ao rinencéfalo, usando a síndrome de Kallmann como modelo. Essa síndrome, com suas disfunções genéticas, é um quebra-cabeça intrigante que me fez perder noites de sono (no bom sentido, claro!).
Biohacking: Desvendando Limites
Aqui está o toque especial: sou um biohacker. O que isso significa? Bem, não apenas observo o cérebro; também experimento com ele. Desde otimização cognitiva até técnicas de meditação avançadas, estou sempre explorando maneiras de elevar nossa experiência mental. Ah, e sim, às vezes uso eletrodos e wearables estranhos. Mas hey, a ciência é uma aventura, certo?
Se você quiser saber mais ou trocar ideias sobre cérebros, biohacking ou qualquer coisa do gênero, estou aqui! 🧠✨