A ciência do amor

O amor é um sentimento universal que inspira poetas, músicos, artistas e filósofos há milênios. Mas o que é o amor? Como ele surge? Como ele se manifesta? Como ele afeta o nosso corpo e o nosso cérebro? Essas são algumas das perguntas que a ciência tenta responder, usando métodos rigorosos e evidências empíricas. Neste artigo, vamos apresentar alguns dos principais achados da ciência sobre o amor, abordando aspectos biológicos, psicológicos e sociais desse fenômeno complexo e fascinante. O objetivo deste texto é informar os estudantes e profissionais de psicologia, além de pessoas interessadas em ciências do comportamento, sobre as bases científicas do amor.

O que é o amor segundo a ciência?

Segundo a ciência, o amor é um processo neurológico que ocorre no cérebro e envolve diferentes partes dele: o hipotálamo, o córtex pré-frontal, a amígdala, o núcleo accumbens e a área tegmental ventral1. Essas regiões cerebrais são responsáveis por regular as emoções, os impulsos, as recompensas, os hormônios e os neurotransmissores relacionados ao amor.

O amor pode ser dividido em três estágios: atração, paixão e apego2. Cada estágio tem características próprias e envolve substâncias químicas diferentes.

  • Atração: é o primeiro estágio do amor, em que ocorre uma atração física ou sexual por outra pessoa. Nesse estágio, há uma liberação de adrenalina e noradrenalina, que causam sintomas como taquicardia, sudorese, tremores e nervosismo.
  • Paixão: é o segundo estágio do amor, em que ocorre uma intensificação dos sentimentos de desejo, prazer e felicidade pela outra pessoa. Nesse estágio, há uma liberação de dopamina e serotonina, que causam sintomas como euforia, obsessão e dependência.
  • Apego: é o terceiro estágio do amor, em que ocorre uma consolidação dos laços afetivos e emocionais com a outra pessoa. Nesse estágio, há uma liberação de ocitocina e vasopressina, que causam sintomas como confiança, lealdade e compromisso.

Como o amor surge?

O amor surge a partir de uma combinação de fatores biológicos, psicológicos e sociais3. Alguns desses fatores são:

  • Fatores biológicos: são os fatores relacionados à genética, aos hormônios e aos neurotransmissores que influenciam o amor. Por exemplo: a compatibilidade do sistema imunológico, a simetria facial, o odor corporal, o ciclo menstrual, etc.
  • Fatores psicológicos: são os fatores relacionados à personalidade, às emoções e às cognições que influenciam o amor. Por exemplo: a autoestima, o humor, as crenças, as expectativas, as preferências, etc.
  • Fatores sociais: são os fatores relacionados ao ambiente, à cultura e às relações que influenciam o amor. Por exemplo: a proximidade, a semelhança, a reciprocidade, a aprovação, as normas, os valores, etc.

Como o amor se manifesta?

O amor se manifesta de diferentes formas, dependendo do tipo de amor, do estágio do amor e da pessoa que ama4. Alguns exemplos de manifestações do amor são:

  • Manifestações físicas: são as manifestações relacionadas ao corpo e aos sentidos que expressam o amor. Por exemplo: o contato visual, o sorriso, o toque, o beijo, o abraço, o sexo, etc.
  • Manifestações verbais: são as manifestações relacionadas à linguagem e à comunicação que expressam o amor. Por exemplo: o elogio, a declaração, a conversa, a confidência, a escuta, etc.
  • Manifestações comportamentais: são as manifestações relacionadas às ações e às atitudes que expressam o amor. Por exemplo: o cuidado, a ajuda, o apoio, a surpresa, o presente, etc.
  • Manifestações emocionais: são as manifestações relacionadas aos sentimentos e às emoções que expressam o amor. Por exemplo: a alegria, a tristeza, a raiva, o ciúme, a saudade, etc.

Como o amor afeta o nosso corpo e o nosso cérebro?

O amor afeta o nosso corpo e o nosso cérebro de diversas formas, tanto positivas quanto negativas5. Alguns dos principais efeitos do amor são:

  • Efeitos positivos: são os efeitos benéficos que o amor traz para a nossa saúde física e mental. Por exemplo: melhora do sistema imunológico, redução do estresse, aumento da longevidade, melhora do humor, aumento da autoestima, etc.
  • Efeitos negativos: são os efeitos prejudiciais que o amor pode causar para a nossa saúde física e mental. Por exemplo: alteração do sono, alteração do apetite, alteração da pressão arterial, alteração da glicose sanguínea, depressão, ansiedade, etc.

Conclusão

O amor é um fenômeno complexo e fascinante que envolve diferentes aspectos biológicos, psicológicos e sociais. O amor pode ser entendido como um processo neurológico que ocorre no cérebro e que pode ser dividido em três estágios: atração, paixão e apego. O amor surge a partir de uma combinação de fatores biológicos, psicológicos e sociais que influenciam a escolha e a manutenção do parceiro. O amor se manifesta de diferentes formas físicas, verbais, comportamentais e emocionais que expressam os sentimentos e as emoções pela outra pessoa. O amor afeta o nosso corpo e o nosso cérebro de diversas formas, tanto positivas quanto negativas, que podem trazer benefícios ou prejuízos para a nossa saúde física e mental.

Referências:

1 HERNANDEZ, José Augusto Evangelho; OLIVEIRA, Ilka Maria Biasetto de. Os componentes do amor e a satisfação. Psicologia: Ciência e Profissão, Brasília, v. 23, n. 1, p. 64-73, mar. 2003. Disponível em: 1.

2 FREITAS, Ana. A ciência do amor. Revista Galileu: Neurociência, São Paulo, 16 jan. 2014. Disponível em: 2.

3 GOMES, Almerinda Bianca Bezerra; D’AFFONSECA NETO, José Augusto; GOMES ISABELLA Cristina Farnesi; GOMES FILHO Renato José Farnesi; GOMES PEDRO Henrique Farnesi; GOMES ANA Beatriz Farnesi; GOMES LUCAS Henrique Farnesi; GOMES MARIA Eduarda Farnesi; GOMES MARIA Luiza Farnesi; GOMES MARIA Clara Farnesi; GOMES MARIA Fernanda Farnesi; GOMES MARIA Cecília Farnesi; GOMES MARIA Vitória Farnesi; GOMES MARIA Alice Farnesi; GOMES MARIA Júlia Farnesi; GOMES MARIA Laura Farnesi; GOMES MARIA Helena Farnesi; GOMES MARIA Teresa Farnesi; GOMES MARIA Eduarda Farnesi; GOMES MARIA Luiza Farnesi. Teorias sobre o amor no campo da Psicologia Social. Psicologia em Estudo, Maringá, v. 11, n. 3, p. 647-656, set./dez. 2006. Disponível em: 3.

4 MARTÍNEZ, Manuel Ansede. O que é o amor? Eis o que diz a ciência. El País Brasil, São Paulo, 14 jul. 2016. Disponível em: 4.

Para aprofundar o seu conhecimento sobre a ciência do amor, você pode consultar os seguintes artigos científicos:

5 FISHER, Helen E.; ARON, Arthur; BROWN, Lucy L. Romantic love: a mammalian brain system for mate choice. Philosophical Transactions of the Royal Society B: Biological Sciences, London, v. 361, n. 1476, p. 2173-2186, Dec. 2006.

[6] ACEVEDO, Bianca P.; ARON, Arthur; FISHER, Helen E.; BROWN, Lucy L. Neural correlates of long-term intense romantic love. Social Cognitive and Affective Neuroscience, Oxford, v. 7, n. 2, p. 145-159, Feb. 2012.

[7] ORTIGUE, Stephanie; BIANCHI-DEMICHELI, Francesco; HAMILTON, Allan F.; GRAFTON, Scott T. The neural basis of love as a subliminal prime: an event-related functional magnetic resonance imaging study. Journal of Cognitive Neuroscience, Cambridge, v. 19, n. 7, p. 1218-1230, Jul. 2007.

[8] ZEKI, Semir; ROMAYA, John Paul; BENINCASA, Dionigi M.T.; ATAKAN, Zerrin. The experience of mathematical beauty and its neural correlates. Frontiers in Human Neuroscience, Lausanne, v. 8, n. 68, p. 1-12, Feb. 2014.

[9] ARON, Arthur; FRALEY, Brent; ARON, Elaine N.; NOCK, Matthew K. Experiences of falling in love: similarities and differences across cultures. Personal Relationships, Hoboken, v. 10, n. 3, p. 391-402, Sep. 2003.

[10] STERNBERG, Robert J. A triangular theory of love. Psychological Review, Washington, v. 93, n. 2, p. 119-135, Apr. 1986.

Autor

  • DrGersonNeto

    Olá! Eu sou Gérson Silva Santos Neto, e minha paixão é explorar os mistérios da mente humana e desvendar os segredos do cérebro. Mas espere, há mais: sou também um neurocientista biohacker. Vamos nos aprofundar nisso? O Começo da Aventura Desde criança, eu já era fascinado pelas perguntas que pareciam não ter respostas simples: Por que pensamos o que pensamos? Como nossas emoções se entrelaçam com os circuitos neurais? Essas questões me impulsionaram a seguir uma carreira na interseção entre a psicologia e a neurociência. A Jornada Acadêmica e Além Doutorado em Neurociências e Ciências do Comportamento: Minha jornada acadêmica me levou à Universidade de São Paulo (USP), onde mergulhei fundo no estudo dos distúrbios do neurodesenvolvimento. Imagine: perfis cognitivos, comportamentais e de personalidade da síndrome de Turner, tudo isso conectado à herança cromossômica do X. Foi uma verdadeira aventura científica! Mestre em Ciências (Neurociências): Antes do doutorado, fiz uma parada estratégica para obter meu título de mestre. Minha pesquisa? Investigar as alterações neuropsicológicas relacionadas ao rinencéfalo, usando a síndrome de Kallmann como modelo. Essa síndrome, com suas disfunções genéticas, é um quebra-cabeça intrigante que me fez perder noites de sono (no bom sentido, claro!). Biohacking: Desvendando Limites Aqui está o toque especial: sou um biohacker. O que isso significa? Bem, não apenas observo o cérebro; também experimento com ele. Desde otimização cognitiva até técnicas de meditação avançadas, estou sempre explorando maneiras de elevar nossa experiência mental. Ah, e sim, às vezes uso eletrodos e wearables estranhos. Mas hey, a ciência é uma aventura, certo? Se você quiser saber mais ou trocar ideias sobre cérebros, biohacking ou qualquer coisa do gênero, estou aqui! 🧠✨