Técnicas de aprendizagem: o que a neurociência e a psicologia podem nos ensinar

A aprendizagem é um processo complexo e dinâmico que envolve diversas áreas do cérebro e depende de fatores cognitivos, emocionais, motivacionais e ambientais. Neste texto, vamos apresentar algumas técnicas de aprendizagem baseadas nas contribuições da neurociência e da psicologia, que podem ajudar você a estudar melhor, memorizar mais e desenvolver habilidades.

O que é neurociência e como ela se relaciona com a aprendizagem?

A neurociência é a ciência que estuda o sistema nervoso, sua estrutura, funcionamento, desenvolvimento, alterações e patologias. A neurociência se interessa por entender como o cérebro processa informações, regula emoções, controla comportamentos e possibilita a aprendizagem.

A aprendizagem é um fenômeno que envolve mudanças duradouras no cérebro, resultantes da interação com o ambiente e com outros indivíduos. A aprendizagem depende da capacidade do cérebro de se adaptar e se modificar em resposta aos estímulos, o que chamamos de neuroplasticidade.

A neuroplasticidade é o mecanismo pelo qual o cérebro forma novas conexões entre os neurônios (células nervosas) ou fortalece as já existentes, criando redes neurais que armazenam e recuperam informações. A neuroplasticidade ocorre ao longo da vida, mas é mais intensa nas fases iniciais do desenvolvimento.

A neurociência pode contribuir com a aprendizagem ao identificar os fatores que favorecem ou dificultam a neuroplasticidade e ao sugerir estratégias para estimular o cérebro a aprender de forma mais eficiente e eficaz.

Quais são as funções nervosas superiores envolvidas na aprendizagem?

As funções nervosas superiores são as capacidades cognitivas mais complexas que dependem do funcionamento integrado de diversas áreas cerebrais. Algumas das funções nervosas superiores mais importantes para a aprendizagem são:

  • Atenção: é a capacidade de selecionar e manter o foco em um estímulo relevante, ignorando os distratores. A atenção é essencial para a aprendizagem, pois permite filtrar as informações que chegam ao cérebro e direcionar os recursos cognitivos para o que é importante.
  • Memória: é a capacidade de armazenar e recuperar informações adquiridas anteriormente. A memória é fundamental para a aprendizagem, pois permite consolidar e acessar os conhecimentos construídos ao longo da experiência. A memória pode ser dividida em diferentes tipos, como a memória sensorial, a memória de curto prazo e a memória de longo prazo.
  • Motivação: é a força interna ou externa que impulsiona o indivíduo a realizar uma determinada ação ou alcançar um determinado objetivo. A motivação é importante para a aprendizagem, pois influencia o nível de interesse, esforço e persistência do estudante diante dos desafios.
  • Emoções: são reações afetivas que envolvem mudanças fisiológicas, comportamentais e cognitivas diante de uma situação significativa. As emoções são relevantes para a aprendizagem, pois afetam o estado de ânimo, a atenção, a memória e a motivação do estudante, podendo facilitar ou prejudicar o processo.
  • Funções executivas: são as habilidades cognitivas que permitem planejar, organizar, monitorar e regular o próprio comportamento em função de metas e normas. As funções executivas são essenciais para a aprendizagem, pois possibilitam ao estudante gerenciar seu tempo, seu material, sua estratégia e sua avaliação.

Quais são as técnicas de aprendizagem baseadas na neurociência e na psicologia?

As técnicas de aprendizagem são métodos ou procedimentos que visam facilitar ou otimizar o processo de aprender. Existem diversas técnicas de aprendizagem baseadas na neurociência e na psicologia, que podem ser aplicadas de acordo com o objetivo, o conteúdo e o estilo de cada estudante. Algumas das técnicas mais eficazes são:

  • Repetição espaçada: consiste em revisar o conteúdo estudado em intervalos de tempo variados, de forma a aumentar a retenção e a recuperação da informação. A repetição espaçada aproveita o efeito da curva do esquecimento, que mostra que a memória decai exponencialmente com o tempo, a menos que seja reativada. Ao revisar o conteúdo antes de esquecê-lo, o estudante fortalece as conexões neurais e facilita a transferência da informação da memória de curto prazo para a memória de longo prazo.
  • Recuperação ativa: consiste em tentar lembrar o conteúdo estudado sem consultar as fontes, de forma a testar e consolidar o conhecimento. A recuperação ativa estimula a neuroplasticidade e a metacognição, pois faz com que o estudante mobilize as redes neurais envolvidas na aprendizagem e avalie seu próprio desempenho. A recuperação ativa pode ser feita por meio de exercícios, questões, resumos ou autoexplicações.
  • Interleaving: consiste em alternar o estudo de diferentes tópicos ou tipos de problemas, de forma a aumentar a discriminação e a generalização do conhecimento. O interleaving promove a aprendizagem ao criar contraste e contexto entre as informações, facilitando a identificação das semelhanças e diferenças entre elas. O interleaving também ajuda a evitar a interferência e a confusão entre os conteúdos, pois evita que eles sejam agrupados na memória.
  • Elaboração: consiste em relacionar o conteúdo estudado com os conhecimentos prévios, os exemplos concretos e as aplicações práticas, de forma a ampliar e aprofundar o entendimento. A elaboração favorece a aprendizagem ao ativar diferentes áreas cerebrais e ao criar múltiplas associações entre as informações, tornando-as mais acessíveis e significativas. A elaboração pode ser feita por meio de analogias, perguntas, inferências ou conexões.
  • Geração: consiste em produzir uma resposta ou uma solução para um problema antes de receber a informação correta, de forma a aumentar o envolvimento e a atenção. A geração potencializa a aprendizagem ao criar um estado de expectativa e curiosidade no estudante, que busca ativamente resolver o desafio proposto. A geração também facilita a memorização e a compreensão da informação correta, pois cria um contraste entre o que foi gerado e o que foi recebido.

Conclusão

Neste texto, apresentamos algumas noções básicas sobre neurociência e aprendizagem, bem como algumas técnicas de aprendizagem baseadas nas evidências científicas. Esperamos que essas informações possam ajudá-lo a estudar melhor, memorizar mais e desenvolver habilidades.

Lembre-se que cada estudante tem seu próprio ritmo, estilo e preferência de aprendizagem, portanto, experimente diferentes técnicas e veja quais funcionam melhor para você. Além disso, considere outros fatores que podem influenciar sua aprendizagem, como sua saúde física e mental, seu sono, sua alimentação, seu humor e seu ambiente.

A neurociência e a psicologia são campos do conhecimento que estão em constante evolução e que podem oferecer novas descobertas e insights sobre como aprendemos. Por isso, mantenha-se atualizado e curioso sobre esse tema fascinante.

Referências

Autor

  • DrGersonNeto

    Olá! Eu sou Gérson Silva Santos Neto, e minha paixão é explorar os mistérios da mente humana e desvendar os segredos do cérebro. Mas espere, há mais: sou também um neurocientista biohacker. Vamos nos aprofundar nisso? O Começo da Aventura Desde criança, eu já era fascinado pelas perguntas que pareciam não ter respostas simples: Por que pensamos o que pensamos? Como nossas emoções se entrelaçam com os circuitos neurais? Essas questões me impulsionaram a seguir uma carreira na interseção entre a psicologia e a neurociência. A Jornada Acadêmica e Além Doutorado em Neurociências e Ciências do Comportamento: Minha jornada acadêmica me levou à Universidade de São Paulo (USP), onde mergulhei fundo no estudo dos distúrbios do neurodesenvolvimento. Imagine: perfis cognitivos, comportamentais e de personalidade da síndrome de Turner, tudo isso conectado à herança cromossômica do X. Foi uma verdadeira aventura científica! Mestre em Ciências (Neurociências): Antes do doutorado, fiz uma parada estratégica para obter meu título de mestre. Minha pesquisa? Investigar as alterações neuropsicológicas relacionadas ao rinencéfalo, usando a síndrome de Kallmann como modelo. Essa síndrome, com suas disfunções genéticas, é um quebra-cabeça intrigante que me fez perder noites de sono (no bom sentido, claro!). Biohacking: Desvendando Limites Aqui está o toque especial: sou um biohacker. O que isso significa? Bem, não apenas observo o cérebro; também experimento com ele. Desde otimização cognitiva até técnicas de meditação avançadas, estou sempre explorando maneiras de elevar nossa experiência mental. Ah, e sim, às vezes uso eletrodos e wearables estranhos. Mas hey, a ciência é uma aventura, certo? Se você quiser saber mais ou trocar ideias sobre cérebros, biohacking ou qualquer coisa do gênero, estou aqui! 🧠✨